Manuela Eichner, colagem e ruptura

Manuela Eichner, colagem e ruptura



A Coleção Florbatomeleque é resultado de uma parceria da Acolá com a artista visual Manuela Eichner. Nascida em Arroio do Tigre, no Rio Grande do Sul, Manuela é formada em Escultura pela UFRGS/RS, mas vive em São Paulo há alguns anos. 

Múltipla, a sua produção abarca desde vídeos e performances até oficinas colaborativas, passando pelo desenvolvimento de estampas, peças de design gráfico e instalações. Nessas diferentes frentes, recorre sistematicamente a princípios de colagem, ruptura e embaralhamento da unidade espacial. 


monstera deliciosa, arte pará, 2016 - foto irene almeida 


Para a Acolá, a artista desenvolveu duas estampas construídas a partir de processos de colagem, que funcionam como uma síntese de sua atual pesquisa entitulada "Monstera",  um conjunto de trabalhos que permeiam questões sobre a relação ser humano - espaço - natureza.

Entre os mais recentes, destaca-se  "Monstra", apresentada em 2017 no CCSP e no SESC 24 de maio, um compilado de 20 unidades coreográficas independentes, mix de dança e artes visuais, que sugere a ideia de que rupturas originam novas comunidades em busca de sobrevivência. Nela, mulheres  buscam a subversão dos papéis que lhes foram entregues: o de reprodutoras e não criadoras; e seguem em busca pelo selvático, o corpo que pode se transformar e moldar conforme seus próprios conceitos e visões.
Como explica Manuela, identificamos muito a ideia do corte, de corpo deformado. "Você olha e não sabe de quem é aquele pé, por exemplo”.


monstra, 2017 - foto debby gram


Atualmente em exibição no SESC Pinheiros (até fevereiro de 2018), o mural "N
atureza Hipotecada" também faz parte da pesquisa. Inspirado na obra "O Rei da Vela", de Oswald de Andrade, mistura pintura e colagem em composições geométricas que flertam com o tropicalismo, universo simbólico da peça, e período que traz grande influência estética e conceitual sobre o trabalho da artista.

natureza hipotecada, 2017, sesc pinheiros - foto debby gram





PROCESSO

Visitamos seu ateliê, localizado no bairro de Perdizes, para conhecer um pouco do seu processo de trabalho durante o desenvolvimento das estampas. A construção de suas colagens envolve desde recortes de imagens apropriadas de revistas e outros impressos, até fotografias e pinturas autorais, além de formas criadas digitalmente. 




"Recortar uma imagem e interferir no diálogo que ela passa a ter com outras é transformador".







A artista conta ainda que seu processo de pesquisa e inspiração precisa extrapolar os limites do ateliê ou da cidade. Precisa ser nômade: v
iajar, coletar informações e conhecer novas culturas. Suas obras carregam influências dessas experiências imersivas, além de referências ao surrealismo e cubismo, art pop, propaganda e cultura de massa, moda, feminismo, erotismo e humor.

Os elementos presentes nas estampas da Acolá se desdobraram em peças tridimensionais cênicas que compõem o editorial da Coleção Florbatomeleque, em um processo recorrente da artista, onde as imagens ultrapassam as bordas do suporte e ampliam o seu quadro até que ele coincida com o espaço inteiro.

Para conhecer mais sobre seu trabalho, clique aqui


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