A História por Trás da Estampa Labirinto

A História por Trás da Estampa Labirinto

No capítulo 1 da Coleção Vaso Grego, nos inspiramos no mito do Minotauro e, para a estampa deste primeiro momento, olhamos para um fragmento específico desta historia: o labirinto.

Muito mais que um simples cenário, o labirinto possui tanta importância para a história que ficamos com a sensação de se tratar de mais um personagem da trama. Representa uma metáfora para o autoconhecimento, a trilha para atingir a introspecção vencendo medos e monstros, que habitam em cada um, no caminho da descoberta da essência humana pura.

Dessa reflexão criamos a estampa, representando as paredes do labirinto, recriando a ideia de múltiplos caminhos que se pode tomar, sem ter conhecimento de seu início ou fim.

O Mito

Minos, rei de Creta, possuía o reinado mais prospero de toda a Grécia. Não se via plantações e gado mais saudáveis, uma frota de navios temida por outras cidades-estados e, o mais importante, estava em paz.

Perante tal sucesso, o rei se viu no direito de pedir a Posseidon permissão para reinar mais 7 anos. Não tendo nenhuma objeção, o deus concede autorização, contanto que uma oferenda fosse feita em sua homenagem, sacrificando um boi que sairia dos mares. O rei, feliz por ter conseguido o que queria, aceita a condição sem excitação.

Procurando pela oferenda que Poseidon mandaria, Minos vê uma massa branca no oceano indo em direção a praia. Quando chega a areia, o rei percebe se tratar da oferenda enviada pelo deus. O animal era branco, forte, belíssimo, nenhum outro boi se comparava a este.

Completamente impressionado, Minos decide não matá-lo, já que nele via a possibilidade de gerar o melhor gado de toda Grécia. O rei por fim, sacrifica o melhor boi de Creta, acreditando que o deus não notaria.

Poseidon, porém é onisciente e tudo vê. Desapontado e furioso com a atitude desrespeitosa de Minos, decide castigá-lo. Faz com que a esposa do rei Pasífae se apaixone pelo boi branco, uma fervorosa paixão que até a leva engravidar do animal, dando à luz a uma criatura com cabeça de boi e corpo humano, que se alimenta de outros seres humanos: o Minotauro.

Minos envergonhado, com medo e desprezo pelo resultado de suas atitudes, pede que Dédalo, grande artista cretense, construa um labirinto para conter a criatura e, usando sua força militar, ameaça a cidade de Atenas para que esta mande 7 homens e 7 mulheres todos os anos para serem devorados pelo Minotauro.

Após o terceiro ano desta ameaça, Teseu filho de Egeu, rei de Atenas , se sentindo responsável pela vida do povo ateniense, decide se tornar um dos 7 homens oferecidos ao Minotauro para tentar matar o monstro.

Seu pai, com medo, permite que ele vá em sua jornada, porém pede que o navio responsável por levar Teseu tenha velas pretas e, no caso da vitória de seu filho, as velas pretas deveriam de ser trocadas por velas brancas em seu retorno.

Ao chegar em Creta, Ariadne, filha de rei Minos, se apaixona a primeira vista pelo herói. Com medo de perde-lo, ela entrega para seu amado um novelo de lã e o aconselha a amarrar uma de suas pontas na entrada do labirinto e ir desenrolando-o aos poucos, assim marcando o caminho de sua saída.

Teseu consegue matar o Minotauro e vitorioso volta para Atenas. Ariadne deixa Creta com o ateniense, porém ao adormecer em uma praia no caminho, é deixada para trás.

Em meio a sua felicidade por ter sobrevivido ao Minotauro e posto fim no sofrimento dos atenienses, Teseu esquece de trocar as velas de seu navio. Egeu vê no horizonte as velas pretas e, em meio ao seu desespero, comete suicídio se jogando ao mar, que após a sua morte fica conhecido como Mar Egeu.

Reflexões

O mito do Minotauro traz diversas reflexões e seus paradigmas podem ser interpretados de vários pontos de vista.

Olhando para o labirinto, ele possui tanta importância no mito que quase se torna personagem. É a representação do cruzamento de caminhos, decisões, problemas que dificultam a jornada ao seu centro, que é o objetivo final. Visto como auto-reflexão, poder ser a representação da introspecção, em um percurso de olhar para si mesmo.

Pelo ponto vista do rei de Creta, outras conclusões são atingidas. Hoje não temos certeza se Minos era o nome do rei ou se este era uma termologia que reis possuíam na civilização minoica. Minotauro significa touro de Minos, portanto pode ser visto uma representação de poder e coação militar, que regia relações entre povos na Grécia. Teseu matar o monstro se tona uma metáfora para um confronto ao abuso da autoridade imposta por Creta.

Colocando em foque a filha do rei, Ariadne representa a fragilidade de uma organização social que tempos depois deixaria de existir. Na época, Creta era uma sociedade matriarcal, possuindo figuras religiosas femininas entre seus principais símbolos. O encontro com Teseu representa o confronto com a sociedade patriarcal, esta que perdura pela Grécia antiga. O abando de Ariadne na praia simboliza a mudança social, na qual a mulher perde seu local de importância para o homem.

O novelo de lã, representado pelo fio é considerado uma metáfora para o autoconhecimento, a procura da luz interior, e até mesmo a personificação do fio do destino. Esta imagem e a desilusão amorosa de Ariadne, foram grande inspiração para diversos poetas e filósofos.

Apesar de possuir diversas leituras, todas acabam por se atar dentro da metáfora do olhar para si mesmo e a representação do difícil caminho para a reflexão sobre a essência humana.
 

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